Por um repentino momento de ufania
Dá até vontade de viver
Assim como quem está vivo
E tem medo de morrer
O pânico que vem é de não saber
Se vai ser bom ou se vai valer
Tentar jurar solenemente
Que vou fazer algo de bom
E em seguida me contradizer
Eu não vou fazer
E nem vou dizer
Não que sou feliz
Ou que gosto de viver
Eu não sou feliz
Eu não gosto de viver
Não que tenho o que reclamar
A vida é bela
E outro gostaria de estar no meu lugar
Eu vejo o mar e tento me esquecer
Um pouco de leitura me leva a espairecer
O medo, o escuro, o obscuro
A alma atormentada, a frase cortada
A arte calada a mente engessada
A agonia estampada, a opressão saboreada
E o tempo, o trato, o pacto
Mas quero ressaltar
Não foi algo que aconteceu
Muito menos que eu fiz
Mas eu não sou feliz
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