28 de maio de 2012

O sinal

No momento mais conturbado
No segundo mais crítico-inanimado
Exatamente quando pauso as estrelas cadentes
As que são vistas lá no céu
Mas que partem da minha mente
Vem um vento que me derruba e me prende
Com cara de pessoas boas
Que dizem o que sentem
E me falam coisas morais e decentes
Por um momento eu escuto mas me pergunto
Por que elas mentem
Parecem apenas permutar
Dizem o que tem e espera o que tenho a contar
Eu não vou falar
Vou morrer com este segredo
Eu não quero confessar
Eu fiz o mal
Da mesma forma que planejei o sinal
Disse que ao cair da estrela iria dormir
Antes não sabia que haviam tantas assim
Bem, eu orava muito antes
Depois fiquei fraco até que caí
Mas ainda estou aqui
E não sei o que farei
Sentiria vergonha de ser comparado a todos vocês

26 de maio de 2012

Vazio

Quando eu precisei, eu forcei
Mas deixei que acontecesse naturalmente
Todas as coisas pareciam voar
Eu apenas me deixei levar
Ventos, pensamentos, não quis evitar
Mas hoje ao acordar, depois de me levantar
Me organizar e ao sentar para trabalhar
Senti um enorme vazio
O lugar que Deus costumava estar
Onde colocava minha mão para orar
Doía muito ao se apertar
Sua voz, Sua presença, Seu amor
Onde está?
Quando pensei que poderia fazer tudo
Eu pensei em Ti diversas vezes
Agi por um impulso, não queria Te assustar
Não pretendia te tirar do seu lugar
Agora estou confuso
Muito confuso
Eu não sei se sou eu ou Você
Quem tem que voltar?

25 de maio de 2012

Ao Rei (2/2)


Eu vou me levantar, vou entrar na presença do Rei
Ainda que Ele não me convide a me a chegar
Um surto que me deu, algo me fez relembrar
Uma voz que saiu do meu coração
Algo tão puro e doce para fixar
Na mente, na boca, o jeito de falar
Lembra Senhor, prometeu sempre me amar
Eu sinto raiva, e me dói muito nunca conseguir desabafar
Por isso do nada eu choro
Meio que rezando, Te imploro para me deixar
Depois preciso me desculpar
É tudo questão de intenções
E sei que não vai funcionar
Pois preciso que me proteja de tudo
Um cachorro que seja
De tudo que possa me atacar
Tu vive a me sondar
Sabe o que eu sinto
O que eu penso e por onde tenho a andar
Mas não quero conversar
Não quero falar sobre isto
Mas alguém vá ao Rei por mim
Diga que não sou mais feliz
Desde o dia que deixei a raiva me tomar

24 de maio de 2012

Ao Rei (1/2)


Este sou eu, decidido a ir em frente
Seguindo os meus pensamentos
Levando o peso das minhas correntes
Mais preso como nunca pensei em um dia estar
E estava lá em cima
Onde nunca mais vou conseguir chegar
Eu fui dormir
E sentir toda escuridão da noite me sufocar
Achei que nunca mais ia acordar
Não neste lugar
Achei que nunca esqueceria de desejar
Que me abraçasse para não me sentir
Cada vez mais me afastar
Mas se tem alguém que ainda pode se achegar ao Rei
Peço por mim que vá, entre no Seu Santo lugar
Quando se prostrar, lembre-se de mim
Lembre a Ele
Diga que eu estou aqui, falem de mim
Diga que fugi de Casa e me perdi
Peça para que ele mande alguém aqui
Para me avisar aonde posso O encontrar
Mas que traga um pouco de ânimo
Pois já estou tão preso que não sei como me livrar
(Continua...)

23 de maio de 2012

Mais um percalço


Eu não tenho mais vontade de chorar
Eu tenho vontade de sumir
Toda minha coragem se foi
O medo tomou conta de mim
Fechei os olhos
Apaguei as luzes 
Percalço que criei para me trair
Eu traí, eu menti, eu fingi 
Com o tempo eu parei
Mas não teve jeito eu errei, eu voltei
E me ferir
Tão forte, de tal forma
Vou levar só para mim
Fiz de novo, mas queria corrigir
Isto é, corrigir a forma de cair
Não é tão triste assim
Na verdade é até bom
Quando se pensa em ser só
Só fica o medo
Vai a coragem
Ninguém para cuidar de mim
Vem a vontade de sumir
Olhos fechados
Mais um percalço, eu vivi
Mais um que vou levar só para mim

20 de maio de 2012

O mundo sem mim


Comecei a imaginar o mundo sem mim
Como seria se eu nunca estivesse aqui
Por um momento comecei a lembrar
De muitas coisas boas que vivi
Belas palavras e um doce olhar
Um mundo tão bonito de histórias para recordar
Encontrei tanta gente boa
Algumas já não as vejo como antes conheci
Sinto falta de um abraço bem apertado de Luo e de Gui
Penso em todos o tempo todo
Esquecendo as vezes até pra onde ir
Bem, um mundo mais belo, um mundo sem mim
Afinal, como seria se eu não estivesse aqui
Bolas que estouram e confetes a explodir
Muitos pulos em cima do barro
Senti alguém pisando em mim
Sorrir muito e se divertir
Agora todos estão me perdendo
Mas ainda não estou preparado para poder ir

19 de maio de 2012

Escondido a sorrir



Eu disse que iria fazer assim
Fui lá e fiz sem pesar e sem medir
Sem chorar, fraquejar ou desistir
Acontece que eu fiz uma promessa
Comigo e somente pra mim
Esquecer completamente essa coisa de amor
Isso nunca foi para mim
Nem sei porque eu insisti
Cometendo os mesmos erros
Como se gostasse de me agredir
Dei a volta por cima
E agora estou aqui
Não sei se estou feliz
Mas estou escondido a sorrir
Tem algo que queria fazer
Mas como faria para ninguém decobrir
Se eu fosse pego não saberia disfarçar
Descobri que desaprendi a mentir
Mas preciso ir lá e eu vou fazer assim
Sem chorar, fraquejar ou desistir.

18 de maio de 2012

Nada me prende mais


Escondi meu coração por trás de um sorriso
Entreguei em Tuas mãos tudo o que eu sinto
E nada me prende mais, nada me prende
Seja como for, ainda que me doa
Seja como for, que seja do Seu jeito, Senhor
Pois tudo o que eu quero
O que eu mais preciso
É me esquecer de tudo
É me livrar do mundo
Correr e Te adorar
Me livra da dor e das lágrimas
Me cobre de amor, me lava
Vem me tocar, sei que não há
Correntes na Sua vontade
E nada me prende mais
Nada me prende
Se não a Tua imagem
Tão viva na minha mente

17 de maio de 2012

Mudar (Part. 5)

Me leva um sorriso se parecer uma obrigação
Me tira a paz, me dá confusão
Eu não quero ser forçado
Eu quero ser bem interpretado

Mudar, juntar as mãos e orar
Pedir incessantemente, suplicar
Implorar loucamente ao Deus
De toda terra, céu e mar
De tudo que existe nela 
E tudo que nela há
Sim, pedi para mudar
Mesmo sem ter fé, sem acreditar
Ainda desejo, que Tu possas me escutar

Aquele que me pede com cara natural
Sem se quer mudar seu ar
Me pedindo para que levante a cabeça
Ou insistindo que eu coma para engordar
Eu não vou perdoar!
Talvez eu fale mais alto para agradar
Se este for o caso, eu posso até interpretar
Fingir que sou assim sem ser
Ou que sempre fui, mas não deixei ninguém perceber

Como eu sou?
Eu não sou o que todos ver
Eu não faço por querer
Eu não sei como acontece
Eu te peço para não se aborrecer

Mas não tente me obrigar
Mudar eu já disse e digo mais
Acontece, uma relação de pessoas e lugar
Sonhos para repensar
Caminhos para traçar, sair da reta, regredir, voltar
Desviar, tapar os ouvidos se sentir pressionar
Fechar os olhos, incomodar, fazer um esforço
Saber parar, não se ferir, nem se irar
E se for assim, então mudar
Não por obrigação, mas por muito implorar
Rachar a consciência, se falar um pouco mais alto
Talvez eu faça escutar.

16 de maio de 2012

Ódio



"Eu não te amo" por isso já vivi
"Eu te odeio"
Eu queria ter o prazer de ouvir
Poderia até ser de alguém que nem olha pra mim
Queria que falasse olhando nos meus olhos
Com todo sentimento
Puxando toda sinceridade de dentro de si
Queria ter este prazer de sentir
A dor depois de algumas palavras
Dirigidas somente para mim
Como iria reagir, como poderia retribuir?
Não existe mais escuridão que possa me cobrir
A não ser do ódio perfeito
Ódio que nunca vivi
Seria muito para mim
Muito dedo na garganta, vomitar
Me engasgar, cuspir resíduos, e se for assim
Me dê este prazer, eu quero descobrir

14 de maio de 2012

O cão, a ave e o homem


Ele se distanciou de todos os amigos
Desde do início em muito se equivocou
Ele queria se esconder no seu maior abrigo
Ele não tinha medo do impossível
Ele correu um caminho reto
Foi em busca do mais lindo lugar
O céu, as pedras e o mar
Somente para poder conversar
Resolver tudo isso
Um novo rumo para se tomar
Havia demônios naquele lugar
Toda a anomalia e como raciocinar?
Tinha que ser naquele momento
De frente para o medo mas sem paralisar
O mar transpareceu até que sumiu
As pedras e tudo de lá
Um cão, uma ave e um homem
Ele sabia, não eram para ajudar
Ele tinha que fujir de lá
Mas não tinha decido
Só falara que iria se entregar
Que iria parar, que sedeira e não poderia mais estar
Ele, tomado pelo medo e o medo a se aproximar
Ele tentou se contornar
A ave estava alucinada pronta para atacar
O cão despertava medo e nem precisava se levantar
O homem parecia ser bom, parecia ser ladrão
Mas não tinha o que levar, por que se aproximar?
Muita agonia e mais uma vez ele iria fraquejar
Não tinha nada de bom
Que pudesse o amparar
Ele sabia que lhe fora permitido
Que chegasse aonde quisesse chegar
Ele correu de novo e agora para voltar
Voltou o mar, as pedras e tudo de lá
De volta para realidade decidiu
Um segredo que não pode revelar
Um acordo com o tempo
Um monte de coisa para desvendar

13 de maio de 2012

Almas



Eu não consigo ver o valor dessas almas
Agora eu não sei o que poderiam mover
Nada tem, de nada servem
Eu não vou me responsabilizar por elas
Não sei que diferença fazem
Não sei ou imagino o seu destino
Eu não vou me culpar por elas
Eu não vou!
Almas completamente arrasadas
Não perderam nada
Pois nada nunca tiveram
Acham que isso é vida
Acham até que estão por cima
Eu não vou mais pensar nelas
Por mim, deixa assim como está
Estamos todos afundando
Estamos todos caindo
Estamos indo para o mesmo lugar
Mas eu não vou parar de tentar
Não por causa delas
E se eu eu algum dia tomar um fôlego
E se eu voltar a respirar
Eu não vou chorar por causa delas.

12 de maio de 2012

Certo e errado




Espera, agora deixa eu falar
Não vale, não vale a pena mesmo olhar para as coisas ruins
Doeu muito até descobrir
Eu bem que queria que você entendesse
Mas talvez seja necessário
Que você erre para que você aprenda
No final a gente descobre que uma vida pura
Limpa, santa e imaculada é o que realmente é felicidade
Entende?
Eu estou correndo por aí para descobrir
Se estou certo ou errado
Como se eu não soubesse a diferença
Bem, eu estou todo errado
E só Deus para me salvar
Mas se quiser ajuda, eu posso te ajudar
Sei lá como...
Mas se quiser saber o que é erro
Também estou aqui e se quiser nós podemos ir
Mas não vale a pena, vai querer mesmo assim?
Perguntar "entende?" é uma forma simples
De irritar, distrair e persuadir
Você vai dizer que sabe, sem ao menos refletir
Parece uma boa proposta
Mas insisto, não vá, faça o certo, fique aqui.

11 de maio de 2012

Placebo


Se nada vier ao meu favor a fim de me ajudar
Eu vou ter a mais estranha sensação de cura que há
Vou acreditar fervorosamente que estou bem
Que estou  perfeitamente bem
Independente do meu real estado e lugar
Puxar o ar sorrir e falar
Andar além do que os meus pés podem suportar
Sonhar muito, senti me alegrar
Dizer sempre: está tudo bem!
Para todos aqueles que me perguntar
Até se olhar dentro dos meus olhos
Eu vou conseguir os enganar
Pois é um placebo
Vou usar este antídoto e vou me curar
Isto é, eu vou acreditar

10 de maio de 2012

O silêncio dos silêncios



Eu estava mais uma vez com medo
Assustado, desesperado, inquieto e atordoado
Estava com vontade de chorar mas o motivo era nobre
Era uma enorme vontade de levantar da cama e orar
Falar com Deus e perguntar o que aconteceu
Eu fui, fui mas não chorei, mas eu juro, eu orei
Falei com Deus, dizia que queria voltar
Pois estava descontrolado e não sabia mais como parar
Orei olhando para o céu, e só Deus sabe como eu gosto
Falei, desabafei, quase chorei, me engasguei, gaguejei
Levantei um pouco as mãos, mas logo as abaixei
Me encurvei, Te implorei, Te esperei
Não Te escutei
Fui dormir, é sério, eu queria voltar a Te sentir.
Me entristeci
Mas não foi apenas o silêncio dos silêncios
Foi mais o que eu entendi
Tudo de mal que eu fizer, estou fazendo contra mim

8 de maio de 2012

Sujo


Eu me permiti
Eu errei feio
Eu trair
Sujo! Eles me chamam assim
Os demônios de pernas de galinha
Não tem como não escutar
E as vezes penso
Não tem como não concordar
Estou sujo mesmo
E até quero me limpar
Mas sou parado pelo medo
Medo de depois de limpo me sujar
Já aconteceu mais de uma vez
Eu me lavei
Eu tropecei
Eu me sujei
Sujo! Eu estou assim
Mas eu queria estar limpo
Nem que seja um caminho limpo para ir

7 de maio de 2012

Mundo


Só não sabe quem não quer saber
Eu dou todas as pistas possíveis
Para pelo menos meu melhor amigo me entender
Sem que eu precise dizer
Eu não tenho problemas
Eu tenho culpas e falsas alegrias
Grandes armadilhas de pequenas fantasias
Eu faço tudo o que não se pode
Eu me arrisco ser condenado
Cometendo inúmeros pecados
Acho que tudo isso só para ter a maior certeza
De que eu tenho que saber aonde eu devo ficar
Aonde realmente é o meu lugar
Sim, buscar a felicidade em todo lugar
Até nesses becos da noite se eu precisar
Em tudo que o mundo tem para dar
Beijar, fumar, transar, xingar 
Experimentar uma boa bebida depois cantar
Sem parecer vulgar
Sem mudar o sorriso
Sem mudar o timbre de falar
Para que seja tudo segredo
Vou negar até se alguém me perguntar.

4 de maio de 2012

Algo estranho


Como dizer...
Eu não sei como começar a explicar
Quando eu saí a intenção era voltar
Bem, um imprevisto aconteceu
Eu me deitei e comecei a viajar
Um velho caminho que eu não costumava andar
Garganta ardida
Mais um pouquinho e água para disfarçar
Qualquer coisa para comer e ninguém vai perceber
Ela é genial, boa para desinteressar
Algo estranho aconteceu
Doía muito, hoje só se eu lembrar
Há tantas coisas para fazer
E eu acho que vale a pena experimentar
Mas já estou tão distante
Estou com preguiça de voltar
Eu espero que mude do lado de lá
Enquanto isso, tudo certo
Vou continuar a viajar sem sair do lugar.

3 de maio de 2012

Juro solenemente

Você já desejou não desejar
Não querer e não saber amar
Já desejou?
E já deixou a desejar
No tocante a se apaixonar?
Eu já.
Assim, falhei muito
Mas não vou mais errar
Tenho certeza
Porque eu não vou mais me apaixonar
Prometo, juro solenemente
Também não vou amar
Não vou fazer nada de bom
Vou secar, vou ficar de lado
Vou ficar sozinho
Esperar todo tempo passar
Quando passar espero ter sumido
E se me for possível
Não ter reaparecido em nenhum lugar

2 de maio de 2012

Paciência

Estou sem entender este repentino aperto no peito
Esta sensação de não ter feito algo direito
Um abafamento que esfumaça todos os bons pensamentos
A vontade de chorar ao pensar em um costumeiro lamento
Que horror, esse mal não passou, não acabou?
Vem, pode vim, fica do meu lado e não me deixe dormir
Faça de tudo para que eu afunde, o mais fundo
Venha com sua escuridão e desague sobre mim
Paciência, o meu maior tesouro
Paciência, o mais importante eu aprendi
Paciência!
Afinal, como iria suportar tanta dor
Meu drama é real
Como vou? Eu não vou porque eu não quero ir
Vou continuar aqui, vou observar tudo
Até que todo o mal se canse de mim
Mas devo te pedir, vem, pode vim.
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