30 de setembro de 2012

Mudar (part.9)



Depois de tanto, tanto tempo
Chego a mais certa conclusão
De que mudar, não é simples
De que mudar é como voar
Abrir as asas e sem medo se arriscar
Talvez, planar bem leve e sentir o ar
E se não der ceto, não conseguir
Cair, se quebrar e se ferir
Mas se levantar!
Tenta, tentar, tentar até conseguir

As vezes paro para pensar
E não sei se você já pensou
Que... Que tudo um dia pode mudar?
Que todo o beijo que é negado
O abraço que é abafado
Pode surpreender-se com um nunca 
que cada dia fica mais perto de chegar?
Que tudo acaba
E eu também aprendi a negar
Por mais que eu queira me lançar nos braços
Ou dar um simples beijo
No rosto, ombro que seja
Eu não faço

Por isso também eu tenho medo
E se eu mudar, mudar tanto
Que nunca mais possa me achar
E se for assim, eu correr
Na intenção de encontrar
O lugar mais alto que eu possa estar
E quando encontrar
E quando chegar lá
E quando chegar a hora de me jogar
Não de me suicidar e me matar
Mas de abrir as asas e me arriscar
Será que iria lentamente planar
Ou mais uma vez, iria, cair, quebrar e me ferir?

22 de setembro de 2012

Um Abraço



Todos os dias
Todas as noites
Antes de dormir
Depois de todas as dores
Te peço, me abrace.
Minha oração
O mais sincero pedido do meu coração
Nunca rejeitado
Sempre aceito, pelo meu Deus
Meu Senhor, Meu amado
Meu lindo, meu tudo, meu gato
O único que imagina a dor que tenho enfrentado
E que sabe toda ira e raiva que tenho guardado
Que conhece meus passos
Meus caminhos, meus pecados
Eu não sei mais o que faço
Não me acostumei a viver sem Teu abraço


21 de setembro de 2012

Ninguém entende



O céu nublou
De nuvens roxas se encheu
Espere! Não era nada
Foi só o medo, a raiva
O ódio que me envolveu

Andei pelas ruas com fone no ouvido
Som estourava os tímpanos
Perdi os meus reflexos
O que há de errado comigo?
Prédios eram vultos
Vestido de preto, feio, me sentia bonito
Rápido ia como quem é perseguido
As vezes corria e parava
Mas esperava os carros parar nas vias

Gota de lágrimas no olhar
Embaçava a visão
Bloqueava as coisas boas de se pensar

Que chova Já!
Para de me enrolar!
Isso não vai passar
Eu fui traído
Ninguém entende
Eu vou me vingar
Eu vou surtar
Eu... Eu vou pirar

No mar fui batizado
E lá tentei me afundar
Corria feito louco
É difícil de falar

Acabei com tudo, destruí a estrada
Que não me levava a nada
Nada... nada
De medo, raiva e ódio que venha a vingar.

11 de setembro de 2012

De Olhos fechados



Mais uma vez, eu, tentando dormir
Uma mosca tão perto do meu ouvido
Zunindo, zombando de mim

Impaciente, sangue quente
Dedos carentes, fome de repente
Pensamentos envolventes

Um pouco, pra cá, um pouco pra lá
Sem se balançar, sem incomodar
Sem respirar, sem ofegar
Sem calor, mas corpo a suar
Mais um pouco pra lá, sem parar
Sem descansar, sem se entediar

Olhos fechados para conseguir viajar
Os últimos momentos antes de desabar
Bem vamos lá, prende todo ar
Deixa rolar, pode acordar.

10 de setembro de 2012

Um ponto insignificante



Uma ferida tomando todo meu corpo
ferindo-me profundamente
contamina minha alma, espírito e mente
Desanimando quem está comigo
Me sinto esquisito, me torno um perigo

Com fome e com sede de ser apenas eu
E me pergunto, me perturbo
Poque me maltrato tanto assim
E gosto menos dos outros que a mim
E por que invocar tanto a morte
E ainda me resta tanta e tanta sorte
E a solidão que tanto busco
E nunca tenho, que raiva!
Medo vira desespero
E desrespeito, o pai, a santa, o fariseu
Vivia no mundo e só voltei para o que é meu
E quem correu, caiu não poque correu
E quem correu, caiu, voltou e por que voltou?

Sinto-me um semi-ateu
Daqueles que dizem que acredita
Mas que duvida de tudo de Deus

Sou um ponto insignificante
No meio do nada, o nada menos importante
Me falta até algo bom para desejar
Se quer saber, por que não vem me perguntar?
Me perdoe, eu juro, tento me perdoar
Sinseramente, eu tento, tento mas não dá.
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