31 de agosto de 2012

Mudar (part.8)


Aqui, disposto a desistir
De tudo que há em mim
De tudo que venha me confundir
Seja o bem presente
Ou o mal que entrou em mim
Que pensa que está me dominando
Que vem e muda tudo
Como se tudo fosse simples assim

Não quero me iludir
Eu também posso andar, voar e sorrir
Assim como posso voltar, chorar e cair
Eu sei, o medo continua aqui
Medo de completar meu objetivo
De transparecer mais do que permitir

A verdade é preferível
O segredo já faz parte de mim
Pareço ser um livro aberto
Mas o que importa, eu não sou assim
Na verdade sou desprezível
O mau silencioso, frágil e cansado
Que pensa tanto
Que acha que precisa sair
Ser outro alguém, mudar e depois voltar
Como quem acabou de cair
Pareceu que chorou até se redimir
Foi perdoado e não voltará mais ali

Outro insiste em sorrir
Brigando, gritando, enfurecido
Preciso conter um rosto
Assim natural e não muito triste
Este é um problema só meu
O meu prazer, o meu prazer

Agora desdizendo o que vieram me dizer
Eu não sou um livro aberto
Se quiser eu conto tudo para você
E rindo-me e emputecido que quem se gabou
De quem falou que está conseguindo mudar a mim
Estou preparando um banquete
Eu mesmo vou servir
Vou assassina-lo dentro de mim
Depois vou rir, sabendo que se arrependeu
Se redimiu não voltará a me confundir.

30 de agosto de 2012

Reflexões



Eu me olhando no espelho
A cara mais feia que podia ver
Os pelos parecendo encravados
Da barba que não vou fazer
Olhos meios inchados
Hálito tão pesado e nada pra beber

Bem, é melhor eu me esconder
Cavar um buraco bem fundo
E desaparecer
Ir o mais longe possível
Onde ninguém possa me ver

Será que estou doente?
Corpo, alma, espírito e mente
Já sei o que fazer para aliviar
Entrar neste buraco fundo
Que nunca paro de cavar

29 de agosto de 2012

De você


Vidros temperados
Arames farpados
Cachorros treinados
Homens armados
Correntes e cadeados
Grades, portas, portões
Muros bem altos

Visão embaçada
Lábios cantando
Ruas se distanciando
Prédios passando
Cachorros ladrando
Pessoas tentando, tentando

Mente 50 mm
Mais iluminado agora
Menos perturbado-abatido
Um sonho, um alvo, um conhecido
Um amigo querido
Mais um muito perdido

Coração encardido
Suplicando ao Deus Vivo
Contribua com meus planos
Fale comigo
Cantando mais alto
Senti um alívio

Vai dar tudo certo
Me leva consigo
Desconfio de tudo
Quem mora comigo
Desconfia de mim
Como se fosse o desconhecido
Mais um muito perdido

28 de agosto de 2012

Thnks Fr Th Mmrs



Está tudo aqui
Guardo como um tesouro
O mais precioso de todos
Protegido para nada levar de mim
Deixei no mesmo lugar onde está
O medo, os sonhos e a esperança de voltar

Está bem aqui
Guardadas em minha mente
Todas as memórias das poucas aventuras
De desde quando eu era crente
Aquela que diz que sente muito
Mas eu sei que ela mente
O beijo dado tão louca e até eroticamente
Mãos dadas para fugir dos olhos
Corpos colados e inocentes
A culpa da fuga para a cama de lençóis verdes
A bela de peitos atraentes
Aquela de boca fina de palavras quentes
A que estuda, estuda e nunca é como a gente
A que chora por nunca se encontrar
Fala toda obscena e mal sabe agradar

Mas sim! Está tudo aqui
Guardado a sete chaves
Tudo só para mim

27 de agosto de 2012

O inimigo



Eu tive um amor, mas não deu certo
Essas coisas nunca dão certo.
Hoje tenho um inimigo
É tão bem vindo quanto aquele amor
E querido entre ao meu senso de amigo
Um rival inventado 
E tão distinto de espiritual e do físico

Sempre olhá-lo nos olhos, quando lembrar
Sem pestanejar nem vacilar
Eu vou me vingar, não sei bem de quê
Eu nem vou deixar saber
Vou lhe dar o troco do que me fez sem perceber

20 de agosto de 2012

Tudo sem nada ter


As outras coisas podem esperar por mim
Diferente do que eu pensava, não estamos pertos do fim
Eu tenho tenho  tempo
Bastante tempo ainda para ir e vim
E porque não sair um pouco de mim?
Cair tentando aprender a sorrir
Fazer o que desejo
E o que quero o e que devo
O que tenho que fazer?
Só não posso secar ou emagrecer
Desistir de alcançar meus sonhos
Isso é pior do que lutar e perder
Sim, me dei um tempo
Vou pensar menos em morrer
Vou começar a tentar viver
Parece tarde mas ainda há tanto tempo
Que eu não sei para quê
Parece que a vida as vezes é falta do que fazer

19 de agosto de 2012

Boa sorte


Então, ainda há muito tempo até tudo desenrolar
Vai ficar tudo assim mesmo, as coisas fora do seu lugar
O meu amor, meus queridos amigos e meu novo inimigo
Não tenho certeza se tudo volta ou como me me levantar
Ganhei uma oportunidade mas não pude aproveitar
Ganhei várias chances, eu mesmo não quis pegar
Pensei bem, não deixei meu pensamento me dominar
Recebi uma mensagem na hora de dormir
"Faça silêncio e escute o que Deus tem para falar"
O silêncio não me permitiu nem se quer orar
Uma doce presença, um frio tão frio, nada para sufocar
Lembre-se de quando, de quando estava lá
Você agora viva a se lamentar, como quem fora amaldiçoado
Como quem fora traído, preso, agredido e não pode se curar
Boa sorte se tudo o que sente não mudará

17 de agosto de 2012

Solitário


A flecha, o arco e o solitário que caiu feito um pato
Que confiou no seu coração, acreditou que era amor
Que preferiu dizer que era paixão
Que recebeu mais de um não
Imaginou que só não era tempo e hora certa
Que fechou seu coração da maneira incorreta
Deitando-se em qualquer lugar
No chão, na cama, no sofá
Rezando mais uma vez
Implorando para nunca mais amar
Ela pode ser de outro, todas elas
Da mais querida, até a mais feia e a bela
Eu não me importo mais
Eu não me encontro mais
Becos, quartos escuros, o mundo
A estrada sem rumo, o corpo suado
O cigarro queimado, bafo alcalipitado
Eu, o cara solitário, mais um simples caso
Sim! e eu ainda aqui.
O sentimento esturricado e outra vez solitário.

Oração


Meu amor…
Estou farto, muito cansado
Estou sujo e de pés descalços
De coração decepcionado
Eu só queria todos os dias
Todos os dias o teu afago
Ser Teu, em cada pedaço meu
Em cada pensamento
Em cada palavra
Todos os dias, em todo tempo
Estou fraco como nunca estive
Ainda que sorria estou muito triste
Eu não sei mais o que é paz
Ou felicidade, ou intimidade contigo
Eu sei que é viver e o que é a verdade
E onde está o meu Amigo, o Seu Espírito
E se eu orar ainda poderia falar como os anjos
E você, Você iria me escutar?
Essa minha raiva
Talvez não saiba como tratar
As vezes tento te ouvir
As vezes me nego a te buscar
As vezes acho que te ouço
As vezes penso que nunca soube te amar
As Vezes refletindo me encontro te adorando
Meu Deus, Meu amor, Santo, Santo, Santo
Mas o meu desespero, como vou resolver
E o medo e minha raiva imortal?
Meu amor…
Essa é a última oração
Pra salvar meu coração
Coração não é tão simples quanto pensa.

12 de agosto de 2012

Déjà Vu



Mas que droga!
Isso já aconteceu?
Esse sentimento não me é estranho
Estes olhos vermelhos, eu já os vi antes
Tem alguém o tempo todo a me seguir
Eu não sei bem dizer quem é
Só sei que isso já vivi
Aquela sombra que vivia a me perseguir
Que se projetava na janela da sala
Ou na rua atrás de mim
Que me chamava e quando olhava
Não havia ninguém ali
Mas era o meu nome
A voz de alguém conhecido
Afastem-se de mim!

Previsível

Claro que tudo agora estaria indo mal
Se não, não seria a vida, seria a morte
Meus maus sentimento e antipatia
E muita, muita falta de sorte
Algo sempre está errado
Do barulho até o silêncio que eu faço
Eu gosto de um caloroso abraço
Eu gosto de gente louca de cadarço desamarrado
As vezes eu largo uns sorrisos falsos
Não que eu não possa fazer melhor
É que quero transparecer o meu cansaço
Tão previsível e desesperado
Todo mundo que eu amo
Eles vão querer saber o que há errado
E eu sei o que é e por que eu faço

Do mesmo lado

Aumento bem o som para me concentrar
Assim não lembro de mais nada que aflige
E posso ler ou trabalhar
Não tem dor de cabeça, mas falta ar
Um pouco inquieto coração acelerar
Socorro, que vontade de gritar
Pular feito loco como quem quer se libertar
Socorro, ninguém para me ajudar
O mau que construí não tem como acabar
Agora fica tudo igual, os mesmo rostos
De um lado, do outro nada sentimental
Do mesmo lado, música para desabafar
Viver não é tão fácil quanto a TV diz ser
E quando corro, grito, pulo, me liberto de tudo
Consigo entender, a vida é punk
Nascemos para morrer

10 de agosto de 2012

Monstro invisível



O medo que estava estampado no meu rosto
Os meus olhos aterrorizados, ninguém viu
As minhas mãos trêmulas e meus pêlos em arrepio
O suor descendo no meu corpo, eu suava frio
A voz engasgada do susto, ninguém viu
Olhando para todos os lados, ninguém viu?
Com quem iria falar se não deixei ninguém saber
Não havia pus, nem sangue, nem dor
Não havia rastro do futuro rancor e o que isso causou
Bem, um mostro invisível para me torturar
Uma legião de olhos e ninguém a me reparar
Uma mão santa, o bastante para me ajudar
O que há por trás dos meus pensamentos
É difícil de entender e de explicar
A tanta falta da paz, me traz de volta para o meu lugar.

8 de agosto de 2012

Sinta a vontade de ficar

Assim, volta a sensação de ainda ser fantoche de tolos
Que os lobos são os outros e que não passo de um louco
Que pensa e nem sempre passa por que seja um olho
Que sofro, mas as vezes durmo e quase nunca entro em choro
E que julgo fazendo questão de um dia dar o troco
E que afundo nau de um e de outros
E que sonho, sem conseguir parar, finjo que ainda corro
Até quando ando a caminho de socorro
Se caio não quer dizer que estou morto


Isto não é um jogo
Até parece um pouco
O cão, o pássaro, o homem
Não posso me esquecer de nada
Do acordo com o tempo feito perto do mar
O segredo que ainda guardo mas que revelo a quem me perguntar.
Não vou implorar quero, desejo de verdade
Sinta vontade de ficar
Só falta mais um pouco, tudo vai passar.
Está ficando cada vez mais difícil
Eu nem comecei a fumar
Já fiz de tudo, e até já nem tem mais graça disfarçar
Eu poderia falar, não, deixa quieto
Mas eu também sei julgar, sou louco, também tenho troco para dar
Sofro, nem sempre consigo parar
Tento correr desses lobos que me fazem de fantoches e querem me manipular.

7 de agosto de 2012

Tudo é teu


Ah o deserto do meu coração
O inserto, a minha antiga paixão
Para onde foi, eu não sei
Mas não vai de novo me queimar?
Arder fortemente me fazer até chorar
De amor, esta palavra até gostar
Não vai voltar, não vai querer me retomar?
É tudo Teu, meu corpo, minha boca, meu ar
Minhas mãos, minha mente e o que pensar
É Tudo Teu, até quando não quero declarar
Mas foi você que comprou a minha alma
Afinal, o mal que se deu aconteceu por não falar
Questiono liberdade, o céu 
E até o orgulho que está a me matar
Eu acho, não tenho certeza
Um dia você tem que voltar

3 de agosto de 2012

Love Is Dangerous

Eu não quero estar aqui para ver
Tudo que vai acontecer
Na mais perfeita maneira que deve ser
Alguém com tudo isso vai sofrer, vai se doer
Busque as respostas nos meus olhos e logo vai saber
O nó na minha garganta não me deixa me esconder
O seco que engulo sempre que estou perto de você
Eu não quero saber da felicidade alheia
Enquanto eu nada ter
Eu queria ser feliz ao lado de alguém
Que me mostrasse que vale a pena viver
Mas eu já entendi
Amor é perigoso, amor não é para mim
E eu já sei como ter alegria sem nunca mais me ferir

2 de agosto de 2012

A Sombra (V.2)



Da escuridão, agonia e depressão
Ninguém me viu chorar
Eu não deixei ninguém reparar
Os meus dedos feridos
Que mastigava até sangrar
O meu eu melancólico a me dominar
Eu emagrecendo cada vez mais de tanto vomitar
Caminhava rapidamente para qualquer lugar
Lutando contra tudo que viesse me ajudar
Ela sempre esteve o tempo todo lá
Minha sombra, tão perversa
Descobriram o poder de influenciar
Me convenceu a fazer coisas erradas
Não tive como negar
Era o que eu precisa
Depois não soube mais parar
Não havia paz enquanto ela quisesse me querer
Queria amenizar toda solidão que sentia
As vezes desejava desaparecer
Ela ainda está aqui, ninguém precisa saber

1 de agosto de 2012

Lanterna dos afogados

Eu estava em um porto
Olhando para os barcos
Pensando muito na vida
Tentando descobrir o que deu errado
O cheiro de esgoto 
O céu escuro e nublado
Não foram os meus erros
Muito menos os meus pecados

Na lanterna dos afogados
Olhos sujos e remelados
Não dormia de preocupado
Me via como quem mordeu o bocado
Estava sentado na mesa
O diferente, o traidor, inconseqüente
O assombrado

Estava perdendo toda a Unção
Eu era o caído da vez
Meu pai se tornou meu inimigo
Meu Amigo não senti ali comigo
Dias de tormentos
Era para eu morrer no domingo
Pessoas falando de tudo
Todos fingiam fazer sentido
Eu me lembro de cada momento
Nunca senti tanta dor e aflição de espírito
Depois que tudo acabou
Pensei que era o final
Mal sabia que era apenas o início.
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