1 de agosto de 2012

Lanterna dos afogados

Eu estava em um porto
Olhando para os barcos
Pensando muito na vida
Tentando descobrir o que deu errado
O cheiro de esgoto 
O céu escuro e nublado
Não foram os meus erros
Muito menos os meus pecados

Na lanterna dos afogados
Olhos sujos e remelados
Não dormia de preocupado
Me via como quem mordeu o bocado
Estava sentado na mesa
O diferente, o traidor, inconseqüente
O assombrado

Estava perdendo toda a Unção
Eu era o caído da vez
Meu pai se tornou meu inimigo
Meu Amigo não senti ali comigo
Dias de tormentos
Era para eu morrer no domingo
Pessoas falando de tudo
Todos fingiam fazer sentido
Eu me lembro de cada momento
Nunca senti tanta dor e aflição de espírito
Depois que tudo acabou
Pensei que era o final
Mal sabia que era apenas o início.

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